O “modo automático” está fazendo empresas produzirem mais e pensarem menos

IA como amplificadora

Sumário

A primeira fase da inteligência artificial foi sobre aprender a usar as ferramentas. A segunda é sobre reaprender a pensar com elas. Esse foi o eixo da palestra de André Foresti, fundador da TroubleMakers, no South Summit Brazil 2026.

O tema interessa diretamente a RH e Comunicação Interna porque toca em um risco silencioso dentro das empresas: equipes podem estar produzindo mais conteúdo e mais entregas com o apoio da IA, mas pensando cada vez menos sobre o que estão produzindo. Isso tem consequência direta na qualidade das decisões e na cultura de inovação.

O que é o “modo automático” nas empresas

Vivemos uma obsessão pela produtividade extrema e pelo “prompt perfeito”. Foresti aponta que isso criou um fenômeno perigoso: o modo automático, caracterizado por três comportamentos que se espalham silenciosamente pelas equipes.

  • Executar sem refletir: produzir mais, mas pensar menos sobre o que está sendo produzido.
  • Consumir sem questionar: aceitar a resposta da máquina como verdade absoluta, sem checagem crítica.
  • Aperta-botão: o profissional corre o risco de deixar de ser um pensador para se tornar um mero operador de ferramentas.

Para RH, esse alerta tem implicação direta em avaliação de desempenho: produtividade medida apenas por volume de entregas pode estar mascarando uma queda real na qualidade do pensamento crítico das equipes.

IA como amplificadora, não substituta

A ideia central da palestra é que a IA não é um atalho para o resultado, mas um amplificador do que a pessoa já traz para a mesa. A tecnologia nivelou o jogo: em breve, todos terão acesso às mesmas ferramentas de ponta.

O diferencial volta a ser o mais antigo de todos: quem questiona melhor, quem conecta ideias e quem enxerga o que não é óbvio. Isso reposiciona o valor de treinamentos que focam apenas em “como usar” determinada ferramenta, sem desenvolver a capacidade de formular boas perguntas e avaliar criticamente as respostas.

💡 Dado: Foresti aponta que, apesar do discurso constante de falta de tempo, ainda se dedica atenção excessiva a temas superficiais, o que ele descreve como uma crise de imaginação nas organizações.

O paradoxo do tempo e a crise de imaginação

Apesar do discurso constante de que “não temos tempo”, Foresti provoca: ainda se dedica atenção excessiva a temas superficiais. Existe uma vilanização do ato de pensar, como se refletir fosse perda de produtividade. O resultado é uma crise de imaginação em que o cérebro humano se torna funcional, mas limitado.

Para Comunicação Interna, esse ponto sugere uma pauta editorial pouco explorada: campanhas internas que valorizem tempo de reflexão e questionamento como parte legítima do trabalho, não como distração ou improdutividade.

A diferença entre entregar o pensamento “de bandeja” e comandar novas fronteiras

A IA vai evidenciar ainda mais as diferenças entre perfis profissionais: de um lado, quem entrega o pensamento “de bandeja” para a máquina; de outro, quem usa a máquina para comandar novas fronteiras de conhecimento e inovação.

Ser um “troublemaker”, no sentido usado por Foresti, é uma necessidade básica em qualquer organização que queira se manter competitiva: recusar o óbvio, questionar padrões e manter a autonomia intelectual, mesmo quando a resposta mais fácil está a um clique de distância.

A pergunta filosófica que fica para toda equipe

No fim, a pergunta que fica não é técnica, é filosófica: “Se a IA está pensando por você, você ainda está pensando?” Essa provocação serve como convite direto para lideranças e RH revisarem como a produtividade está sendo medida e incentivada dentro da empresa.

Se a tecnologia nivelou o acesso às ferramentas, o que sua empresa está fazendo para desenvolver, de forma intencional, a capacidade de questionar e pensar diferente entre as equipes?


Perguntas Frequentes

 

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