Cultura de IA: como a Eco Baltia incentiva a adoção sem impor o uso
Intranet Reloaded Nordic 2026

Cultura de IA: como a Eco Baltia incentiva a adoção sem impor o uso

Conheça como a Eco Baltia incentiva uma cultura de IA com regras claras, formação, projetos práticos e apoio de colaboradores voluntários.

Andréa Migliori · 29 set 2026 · 6 min de leitura

Ninguém na Eco Baltia é obrigado a usar inteligência artificial. Em um grupo com profissionais de escritório, linhas de triagem e veículos de coleta, essa foi uma escolha deliberada: em vez de exigir o uso da tecnologia, a empresa decidiu criar condições para que as pessoas sintam curiosidade, experimentem com segurança e encontrem apoio quando precisarem.

Na palestra “From Curiosity to Capability — Building an AI Culture Across Eight Companies”, Liene Lagutkina, AI Solution Project Coordinator da Eco Baltia, contou como essa abordagem ganhou forma. Sua própria trajetória ajuda a explicar o ponto de partida. Sem formação em TI, ela trabalhava como assistente executiva quando recebeu o convite para explorar as possibilidades da IA. Começou a testar ferramentas em 2023 e, depois, assumiu a coordenação de projetos na área.

Cultura de IA não nasce de uma ordem

Para Liene, obrigar as equipes a usar IA seria uma maneira rápida de anunciar a adoção, mas não necessariamente de mudar o trabalho. Uma exigência poderia produzir usos superficiais ou levar colaboradores a experimentar ferramentas não aprovadas, inclusive em dispositivos pessoais, sem conhecer os cuidados necessários com informações da empresa.

A Eco Baltia escolheu um caminho mais gradual. Sua estratégia oferece diferentes pontos de entrada para pessoas que já testam IA, para as que ainda têm dúvidas e para as que querem desenvolver um projeto. O interesse individual não substitui a responsabilidade da organização: cabe à empresa tornar a experimentação acessível e segura.

O que a Eco Baltia colocou em prática

1. Criou regras antes de incentivar os testes. Liene trabalhou por três meses com TI e jurídico para elaborar diretrizes de uso que considerassem dados confidenciais, o GDPR e a Lei de IA da União Europeia. A preocupação era escrever orientações compreensíveis, não um documento jurídico que ninguém conseguiria aplicar. Segundo ela, as regras acabaram estimulando a curiosidade: as pessoas se sentiram mais seguras quando entenderam o que podiam fazer e quais ferramentas deveriam evitar.

2. Abriu caminhos para diferentes níveis de interesse. O Clube de Interesse em IA reúne mensalmente quem quer conhecer aplicações da tecnologia, inclusive fora de uma tarefa profissional específica. Já a Growth Academy é um programa estruturado, custeado pela empresa, no qual colaboradores entram com uma ideia e trabalham para transformá-la em piloto ou solução em uso. Assim, ninguém precisa começar com um grande projeto, mas quem tem uma proposta encontra espaço para desenvolvê-la.

3. Reuniu o aprendizado na intranet. A área dedicada à IA reúne notícias semanais, prompts para experimentar, diretrizes oficiais, ferramentas aprovadas e proibidas, exemplos de uso, indicações de cursos e podcasts e contatos de colegas que podem ajudar. As notícias, apresentadas em letão e com atenção a acontecimentos europeus, dão às pessoas um motivo para voltar. Liene disse que criaria esse espaço desde o primeiro dia se pudesse recomeçar: antes dele, materiais e orientações se perdiam entre documentos.

4. Formou uma rede de apoio voluntária. Como era a única pessoa dedicada à iniciativa no grupo, Liene percebeu que não conseguiria responder sozinha às dúvidas recorrentes. Uma chamada aberta convidou colaboradores interessados a receber formação mais aprofundada, testar ferramentas primeiro e ajudar colegas. Segundo a apresentação, a rede de entusiastas passou a ter ao menos uma pessoa de cada empresa do grupo. Os participantes vieram de áreas não técnicas e aderiram por interesse próprio, em vez de serem nomeados para a função.

Quando a curiosidade vira projeto

A Growth Academy ajudou a levar as experiências além das conversas sobre IA. Um de seus projetos deu origem a um assistente para a intranet: o colaborador pode perguntar, por exemplo, como solicitar férias e receber uma resposta acompanhada de links para os documentos usados como fonte.

Outro projeto automatizou parte da verificação de possíveis parceiros e clientes. Antes, segundo Liene, uma pessoa fazia manualmente consultas que podiam levar até duas semanas. Na experiência apresentada, a ferramenta reduziu o processo para cerca de 30 minutos e liberou um profissional jurídico de parte da tarefa repetitiva. Trata-se do resultado relatado para esse caso, não de uma economia que se possa presumir em outros processos.

A palestra também trouxe exemplos de marketing. Liene demonstrou o uso do Claude para explorar uma identidade visual a partir de instruções e preparar uma apresentação com base em arquivos e logotipos. Nesses casos, a facilidade de gerar uma primeira versão não elimina a necessidade de conferir dados, avaliar a qualidade visual e verificar se o resultado representa corretamente a empresa.

O que Liene faria mais cedo

Ao olhar para a jornada, Liene identificou três decisões que anteciparia. A primeira seria lançar a área de IA na intranet logo no começo, para que regras e materiais tivessem um endereço conhecido. A segunda seria formar imediatamente a rede de voluntários, evitando que o apoio dependesse de uma única pessoa.

A terceira seria criar um registro de riscos relacionados ao uso de IA. As diretrizes explicam como agir, mas a organização também precisa identificar situações que podem expor dados ou gerar resultados inadequados, definir responsáveis e orientar as pessoas sobre o que fazer nesses casos.

Esses aprendizados mostram que incentivar a curiosidade não significa deixar cada equipe por conta própria. Na Eco Baltia, a liberdade para testar foi acompanhada por regras simples, informação fácil de encontrar e colegas disponíveis para ajudar. Foi essa combinação que permitiu transformar um interesse individual em projetos e em uma capacidade compartilhada.

#Intranet Reloaded Nordic 2026#Cultura de IA#Adoção de inteligência artificial#Governança de IA#IA na intranet
Escrito por

Andréa Migliori

CEO e fundadora da Workhub

Andréa Migliori é CEO e fundadora da Workhub, HRTech que integra inteligência artificial a intranets corporativas e já atende mais de 240 mil usuários.

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