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Investimentos em Fundadores na Era da IA

Gabriel Vasquez (Partner, Andreessen Horowitz)

Tem um dilema que apareceu no painel de Gabriel Vasquez, da a16z, com Veronica Serra, da Innova Capital, que me incomoda de um jeito produtivo.

O talento brasileiro é capaz de construir empresas de sucesso. Isso já ficou provado. A questão que o Gabriel colocou é outra: por que tantas dessas empresas param no Brasil? É uma limitação geográfica ou de mentalidade?

Ele citou o caso de um empreendedor brasileiro que se mudou para a Estônia. Não porque a Estônia fosse um mercado maior, mas porque lá a ambição global faz parte do DNA desde o dia zero. E essa escolha diz muito sobre o que está travando a escala de negócios brasileiros no mundo.

Para quem trabalha com comunicação interna e gestão de pessoas, essa provocação não é sobre startups. É sobre como as organizações brasileiras pensam sobre si mesmas. A narrativa interna que construímos para os nossos times é de quem está se preparando para competir globalmente ou de quem está se ajustando para sobreviver localmente? Porque essa diferença de mentalidade se reflete em tudo: na forma como recrutamos, como desenvolvemos líderes, como comunicamos estratégia.

A Veronica trouxe uma camada mais concreta. O valor na era da IA está se concentrando onde existem grandes volumes de dados e dores reais: saúde, logística, finanças. E o Brasil tem tudo isso em abundância. País enorme, adoção tecnológica rápida, complexidade regulatória que gera problemas que a IA é especialmente boa em resolver.

Só que existe um entrave histórico que qualquer empresa de software no Brasil conhece: a baixa disposição do cliente brasileiro para pagar. O Gabriel reconheceu isso, mas fez um contraponto que muda a equação. Quando a solução de IA resolve um problema crítico de forma tão eficaz que o valor se torna indiscutível, a barreira do preço cai. O desafio não é convencer o cliente a pagar. É construir algo tão bom que ele não consiga justificar não pagar.

Para RH e comunicação interna, a analogia é direta. Quantas vezes a gente ouve que “a empresa não investe em comunicação interna” ou que “cultura não tem budget”? Talvez o problema não seja a falta de verba. Talvez seja que ainda não construímos soluções internas tão evidentemente valiosas que a liderança não consiga justificar não investir.

Os dois concordaram que a próxima grande onda são agentes de IA capazes de interagir com o público em massa, resolvendo questões complexas de forma simples. O modelo mental que usaram foi o WhatsApp: algo que transformou a comunicação de um país inteiro pela simplicidade e escala. Agora imagina agentes com essa mesma penetração resolvendo problemas de saúde, de crédito, de burocracia trabalhista.

E o perfil do fundador que está vencendo nessa era também mudou. Não é mais o generalista carismático. É gente com conhecimento técnico profundo, muitas vezes vinda de grandes empresas de tecnologia, que entende o problema por dentro antes de construir a solução.

Para gestão de pessoas, isso reforça algo que apareceu em praticamente todos os painéis do evento: habilidade técnica profunda combinada com capacidade de se adaptar e aprender rápido é o perfil que vai definir quem lidera nos próximos anos. E desenvolver esse perfil dentro das organizações é trabalho de RH, não de TI.

A pergunta que fica: a sua organização está formando gente para resolver problemas que ainda não existem ou está treinando para repetir o que já sabe fazer?

Palestra: Betting on Founders in the AI Era: Where does the money actually accrue?
Veronica Serra + Gabriel Vasquez
Innova Capital and a16z

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