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Formando a próxima geração de líderes na era da IA

Formando a próxima geração de líderes na era da IA

Consumir a onda não é a mesma coisa que construir a onda.

Essa foi a provocação que abriu o painel sobre infraestrutura de IA no Brazil at Silicon Valley, com a Wei Xiao, diretora de relações com desenvolvedores da NVIDIA, e a Bianca Martinelli, general partner da Alexia Ventures. E o que parecia ser uma conversa técnica sobre chips e modelos de linguagem acabou revelando algo que interessa muito mais a quem trabalha com pessoas do que a quem trabalha com código.

A Wei começou desmontando uma percepção comum: a NVIDIA não é uma fabricante de chips. É uma plataforma de infraestrutura de IA com cinco camadas, de energia e hardware até modelos e casos de uso. E tudo aberto. Modelos, datasets, blueprints. Ela comparou a receitas de cozinha: ingredientes e passo a passo para qualquer pessoa construir. A barreira técnica para criar com IA está caindo rápido. E quando a barreira técnica cai, o que sobra como diferencial?

Dado e gente.

A Bianca foi direta nisso. O modelo de IA não é mais vantagem competitiva. Qualquer um pega um modelo open source e adapta. O que diferencia é o dado proprietário e a capacidade de criar um ciclo virtuoso com ele, alimentando o modelo continuamente para melhorar performance. Ela chamou isso de “data flywheel”. E trouxe outro conceito que deveria entrar no vocabulário de qualquer gestor: “token economy”. Cada interação com IA tem custo. Startups que ignoram isso na fase de protótipo quebram quando escalam, porque a conta de infraestrutura vira uma bomba.

Para organizações grandes, a lógica é idêntica. Implementar IA sem pensar em eficiência desde o início não é inovação, é desperdício com nome bonito.

Mas o que realmente me fez parar e pensar foi a conversa sobre talento brasileiro.

A Wei visitou o Brasil pela primeira vez há poucos meses e voltou impressionada. Empresas americanas estão trazendo projetos de IA para o Brasil em vez da Índia, pela qualidade técnica, proximidade cultural e fuso horário. A NVIDIA já trabalha com mais de mil startups brasileiras. Setecentas pessoas viajaram do Brasil para o GTC, o evento âncora da empresa, semanas antes do BSV. O ecossistema está se movendo com uma energia que surpreendeu até quem vê isso de dentro da NVIDIA.

E a Bianca complementou com algo que a gente precisa ouvir mais: brasileiros lidam com complexidade em todas as formas, e isso gera uma resiliência que não se ensina. Essa é uma vantagem competitiva real num mundo onde tudo muda o tempo todo. Não é discurso motivacional. É observação de quem investe e precisa apostar em quem vai aguentar o processo.

Agora, o paradoxo. O Brasil tem talento de sobra para construir com IA. Mas dentro das empresas, muitos desses talentos estão presos em estruturas que ainda tratam tecnologia como assunto de TI, inovação como projeto paralelo e comunicação interna como canal de e-mail.

A Bianca trouxe um dado de board que conecta tudo: CEOs estão redesenhando organizações inteiras porque novos perfis de talento, com senioridades diferentes das tradicionais, estão entregando resultados que antes exigiam times muito maiores. Receita por funcionário virou métrica estratégica. Isso muda radicalmente o papel de RH. Não é mais sobre preencher posições. É sobre redesenhar o trabalho em si.

E a Wei encerrou com uma previsão que parece ousada mas faz sentido: em 2030, talvez não precisemos mais de startups “AI-native” porque todo mundo vai conseguir construir com IA, assim como hoje qualquer pessoa consegue criar um site com WordPress. Se isso for verdade, o diferencial humano não será saber usar a ferramenta. Será saber pensar com ela. Saber fazer as perguntas certas. Saber o que pedir.

Para quem lidera comunicação interna e gestão de pessoas, a implicação é enorme. A gente senta em cima de um tesouro de dados proprietários, cada pesquisa de clima, cada interação na intranet, cada feedback de onboarding, e na maioria das vezes trata isso como relatório, não como ativo estratégico. A gente tem acesso ao pulso da organização e usa esse acesso para mandar newsletter.

A pergunta que ficou não é se IA vai transformar as organizações. Isso já está acontecendo. A pergunta é se as áreas de pessoas vão ser protagonistas dessa transformação ou se vão descobrir que ela aconteceu quando já for tarde demais.

Palestra: AI-Native, Capital-Efficient: Building Brazil’s AI Infrastructure for the World
Wei Xiao + Bianca Martinelli
NVIDIA + Alexia Ventures

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