Participar do Brazil at Silicon Valley 2026 e ouvir o diálogo entre o Pedro Franceschi (Brex) e o Victor Lazarte (Wildlife/Snowflake) traz uma clareza quase desconfortável sobre o papel da liderança hoje.
Para quem, como eu, está à frente de uma empresa, pensando diariamente em como as pessoas se conectam ao trabalho, a fala deles sobre a “Brex 3.0” e a ascensão dos agentes de IA não é apenas sobre tecnologia. É sobre um novo design organizacional.
Abaixo, compartilho os pontos que mais me provocaram e que acredito serem as novas bússolas para pessoas CHROs e pessoas gestoras de Comunicação Interna.
1. Menos Gestão de Pessoas, mais Gestão do Trabalho
Pedro trouxe um conceito que desafia o RH tradicional: a ideia de que, para liderar, você precisa ser capaz de realizar o “ofício” (craft). Na reestruturação da Brex, eles eliminaram camadas de gestão para garantir que o líder não fosse apenas um “repassador de tarefas”, mas alguém que entende profundamente a execução.
O insight para nós: Em um mundo acelerado pela IA, o papel de pessoas gestoras como “burocrata de status” morreu. Precisamos de lideranças que saibam “fazer” e que ensinem pelo exemplo técnico. A comunicação interna precisa parar de celebrar apenas a “hierarquia” e passar a celebrar a “excelência do produto final”.
2. O “Virtual Employee” e o novo Onboarding
Pela primeira vez, ouvi uma definição prática e humana para a IA: o Funcionário Virtual. Pedro argumenta que um agente de IA precisa das mesmas coisas que um talento humano:
- Contexto e Documentação: Um onboarding claro para saber como ser bem-sucedido.
- Accountability: Um gestor humano que responda pelo que a IA faz.
- Feedback: Um ciclo de gestão de desempenho para que o modelo evolua.
Isso muda o jogo para o RH. O nosso desafio não é mais apenas contratar pessoas, mas fazer o onboarding de sistemas que operam como pessoas. Como a sua Comunicação Interna está integrando esses “colegas sintéticos” na cultura da empresa?
3. IA Nativa vs. IA “Puxadinho”
Uma das falas mais marcantes foi o erro de “pendurar” um chatbot em cima de um processo antigo. Isso vale para o software, mas vale o dobro para a cultura. Não adianta colocar IA em uma empresa que ainda tem processos de aprovação analógicos e lentos.
A inovação real acontece quando “zeramos a base”. Na Brex, eles criaram um time isolado para reconstruir a experiência do zero. No RH, o convite é o mesmo: se fôssemos desenhar a jornada do colaborador hoje, do absoluto zero e com as ferramentas atuais, ela teria a cara que tem hoje? Provavelmente não.
4. Entender o Presente é Melhor que Prever o Futuro
Victor Lazarte foi cirúrgico: o sucesso de empresas como a Amazon ou a Anthropic veio de olhar para o que está crescendo exponencialmente agora. O uso de chips para IA (inferência) está explodindo. Isso é o presente.
Para nós, gestores, o “presente exponencial” é o fim das tarefas repetitivas. Se a sua comunicação interna ainda gasta 80% do tempo formatando comunicados ou respondendo dúvidas básicas de política interna, você está ignorando a onda que já quebrou.
A Provocação Final
No fim do dia, o que diferencia o Vale do Silício não é o código, mas a coragem de ser autêntico na forma de liderar. Pedro decidiu gerir a Brex de uma forma que fosse “autêntica para ele”, mesmo que isso significasse mudar todo o modelo de comando.
A minha provocação para você, que cuida da cultura e das pessoas, é: estamos criando ambientes onde os nossos líderes têm coragem de abandonar os manuais antigos para abraçar o que o presente exige?
A tecnologia é apenas o subproduto de uma mentalidade que não tem medo de reconstruir o que for preciso. E esse movimento começa na nossa mesa.
Palestra: Rebuilding from the Inside
Victor Lazarte + Pedro Franceschi
VL Fund + Brex

Pioneira em soluções digitais para Employee Experience e CEO da Workhub Digital, transformo a forma como as organizações se conectam com seus colaboradores há mais de 20 anos. Minha trajetória une expertise em tecnologia, liderança e inovação, com foco especial em Modern Work, RH Digital e Comunicação Interna.






