
A comunicação interna deixou de ser um conjunto de práticas isoladas para se tornar um elemento central da gestão organizacional. Em ambientes cada vez mais complexos, falar em maturidade da comunicação interna é falar da própria capacidade da empresa de alinhar pessoas, sustentar decisões e executar estratégia.
Hoje, maturidade não se mede apenas pela existência de canais ou ferramentas. Ela envolve estratégia, uso de dados, clareza de contexto, capacidade de adaptação e impacto real na tomada de decisão e no comportamento das lideranças.
Os dados mostram que, no Brasil, esse amadurecimento ainda está em curso. Pesquisas recentes indicam um descompasso claro entre intenção e prática. A Pesquisa de Tendências da Comunicação Interna 2025, realizada com mais de 200 empresas brasileiras, aponta que 59% dos profissionais veem o engajamento das lideranças como comunicadores como o principal desafio. Outros 51% relatam dificuldade em comunicar estratégia e cultura, 42% em alcançar públicos operacionais e 41% em mensurar e gerir dados de comunicação interna.
Esses números revelam um padrão: a área avança em discurso e estrutura, mas ainda enfrenta limitações para se consolidar como ativo estratégico. Isso fica ainda mais evidente quando observamos o uso de dados. Levantamentos da Aberje/Ação Integrada mostram que apenas 14% das empresas brasileiras se consideram maduras no uso de métricas de comunicação, enquanto cerca de 40% ainda estão tentando estruturar a coleta e a gestão dessas informações. A cultura de dados, essencial para decisões mais qualificadas, segue sendo um dos principais gargalos da maturidade organizacional.
Outro fator decisivo é o papel da liderança. Estudos da GT7 indicam que cerca de 70% das empresas brasileiras identificam como maior desafio o engajamento dos gestores como comunicadores. Em muitas organizações, líderes são reconhecidos como canais prioritários de informação, mas não estão preparados para exercer esse papel com clareza e consistência.
Esse cenário é coerente com tendências globais observadas em relatórios da Deloitte e da McKinsey, que mostram que a maturidade em comunicação interna está diretamente ligada à capacidade das lideranças de transmitir contexto, propósito e mudanças de forma clara. Onde a liderança comunica bem, a organização funciona melhor.
Do ponto de vista conceitual, estudos acadêmicos e frameworks de comunicação organizacional apontam que a maturidade da comunicação interna pode ser observada em algumas dimensões-chave. Entre elas, estão o alinhamento da comunicação à estratégia do negócio, a capacidade de mensuração orientada à decisão, o engajamento funcional das pessoas, a adaptação contínua com base em feedback e a presença de lideranças capazes de comunicar direção e contexto.
Modelos de maturidade costumam identificar estágios que vão desde uma comunicação básica e reativa até uma comunicação totalmente integrada ao core da gestão. A maioria das empresas brasileiras ainda se encontra nos níveis intermediários, com avanços pontuais, mas sem integração plena à estratégia.
Quando olhamos para benchmarks globais, o cenário reforça essa leitura. Pesquisas da Gallup mostram que apenas cerca de 31% dos colaboradores brasileiros se consideram engajados, um índice abaixo da média global. Embora haja sinais de evolução, o dado indica que ainda existe amplo espaço para amadurecer a comunicação interna como fator de impacto real na execução e no engajamento.
É nesse ponto que o Relatório de Comunicação Interna da Workhub adiciona uma camada importante de entendimento. O estudo mostra que empresas com maior maturidade em comunicação utilizam dados não apenas para medir volume, mas para orientar decisões e ajustar práticas em tempo real. Elas conectam comunicação interna à estratégia organizacional, reduzem ruído e retrabalho por meio de clareza contínua e apresentam maior capacidade de adaptação a mudanças internas e externas.
Essas organizações operam com menos ciclos de retrabalho, maior clareza de prioridades e mais consistência na execução, fatores diretamente ligados à competitividade e à performance sustentável.
As barreiras para alcançar esse nível de maturidade são recorrentes. Dificuldade em mensurar impacto, ausência de cultura de dados integrada aos processos, lideranças pouco preparadas para comunicar contexto e segmentação insuficiente das mensagens aparecem de forma consistente em pesquisas nacionais e internacionais.
Avançar nesse caminho exige escolhas claras. Estabelecer métricas estratégicas que vão além do volume de mensagens, capacitar lideranças para comunicar com clareza, usar dados de forma contínua e conectar comunicação às prioridades do negócio são passos fundamentais. Aprimorar canais e segmentação também faz parte desse movimento, garantindo que a mensagem certa chegue às pessoas certas, no momento certo.
A maturidade da comunicação interna nas empresas brasileiras ainda está em construção. Os dados mostram desafios relevantes, especialmente em mensuração, liderança comunicativa e integração estratégica. Ao mesmo tempo, a direção é clara. Organizações que tratam comunicação como ativo, e não como função operacional, conseguem orientar decisões, reduzir ruído e sustentar a execução.
Relatórios nacionais e internacionais convergem em um ponto: comunicação madura é aquela que cria clareza, apoia a liderança e transforma estratégia em ação.







